quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

desinquietude

...
palavras de amor ressoam cuspidas

apagadas

corpos suados gritam na noite fria

rasgados

linhas do rosto por lágrimas esculpidas
  
a bofetadas

sobre o leito jaz o cadáver ainda quente

de uma mulher descrente
e usada

...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

SO





Aperto o ventre contra a vedação precária. No fundo só o mar, as rochas lambuzadas pelo sal, sobras de maré. Ali arranco do peito em ferida as memórias e sou criança. Brinco nas traves do recreio da escola, entre cambalhotas e piruetas, olhando um mundo que desejava ao contrário. 
Na vertigem da queda segreda-me o vento em voz de poeta: aqui é onde pertences e a tua alma tropeça, onde " a terra se acaba e o mar começa"!

domingo, 20 de novembro de 2011

sem pé

...

qual o som das lágrimas reprimidas

serão elas ou eu impacientes em direcção ao mar

desenhos de  rios e afluentes nesta viagem em vão

onde não sei se me deixe embarcar ou apenas
AFOGAR

...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

fantasma de mim

Passeiam fantasmas
só se vêm a si mesmos, não sabem da existência... nem de uns como eles, nem de outros diferentes deles.

São só fantasmas
passam indiferentes, fazendo de conta um destino, uma razão para o caminho absurdo

Passeiam fantasmas
tropeçando nos vivos, bebendo as suas aspirações e pensamentos mais reles

Mas são só fantasmas
e resisto ao seu apelo, a tornar-me um deles

Fantasma no meu mundo

domingo, 23 de outubro de 2011

butterfly

 ...

mergulho na água e deixo-me dissolver 
levada pelo vento na caricia de um parto

sem amor

no som do silêncio o turbilhão permanece
e o dia sempre amanhece

sem mim

...

sábado, 15 de outubro de 2011

devolvida ao remetente

...

Não recebeste o último beijo que te mandei,
paira por aí, sem destino,carta perdida sem remetente.
Por vezes julgo ver-te, num rosto sem nome, num odor de semente
e estás perto, muito perto de mim.
Cruzas o teu caminho com o meu, na rua, por mero acaso. 

Só podes ser tu, noutro lugar, num tempo sem passado.
Procuro o teu olhar no rosto desconhecido, dou-te os lábios um beijo
e foges-me
ou nunca foste Tu.


...

sábado, 8 de outubro de 2011

a queda de uma estrela

Caiu-me uma estrela no colo.
Estremunhada, perguntou-me o caminho para o céu.
- Não sei, estrela... porque queres voltar ao céu?
Respondeu-me que era de lá que tinha vindo,era para lá que devia voltar.
Contendo as lágrimas contei-lhe o meu segredo: 
- Não há voltar, estrela. Mas há caminho, faz-se de sonhos, da vida que desenhas.
Não temas, aqui no meu colo és grande, vais crescer para além de ti mesma
e brilhar... sempre em nós.
(tentei acreditar)