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Morri.
Todos os anos, em Janeiro, morro.
É um processo que começa ainda em Dezembro, antes do Natal.
Na tontura e no frenesim da festa, na corrida para algo que vou perder e que receio nunca mais voltar a encontrar. O coração a cento e vinte pulsações por minuto, o relógio a avançar em direcção ao inevitável: o fim de mais um ano. O desalento perante a minha inabilidade para partilhar a euforia do momento. Aquele momento de consciência em que me pergunto se chegou a hora de pedir socorro.
Desde que me lembro, que em Janeiro a vida se despede de mim. Sempre de forma brutal, tão brutal que eu mesma duvido se continuo viva, ou se morri. Ainda em Janeiro, perdida, procuro sinais. Sinais que me digam em que ponto estou, onde cheguei, ou pelo menos que me digam se estou morta, ou viva. É então que sou envolvida pelo silêncio e visto-me de solidão.
Foi sempre em Janeiro que tomei grandes decisões, algumas até que implicavam viver ou morrer. Ir ou ficar. Aceitar ou abandonar.
Acabo sempre por renascer, mas de cada vez mais débil, cada vez menos corpo e cada vez mais cinza.
Não receio o dia em que não vou renascer, mas assusta-me o dia em que nunca vou morrer.
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
domingo, 22 de janeiro de 2012
silêncio
...
sobro no tempo
afundo no horizonte
respiro o silêncio queimando as entranhas
não há lágrimas que me rasguem
nem sangue que me banhe
...porque não me leva o vento?
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sobro no tempo
afundo no horizonte
respiro o silêncio queimando as entranhas
não há lágrimas que me rasguem
nem sangue que me banhe
...porque não me leva o vento?
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
passeios
...
Passeias os lábios em segredos
Soprados na pele
E dançam-te os dedos
No nosso toque de mel
Já não sei se vá ou se espere
Se desmanche esta cama
Marcada dos prazeres e enredos
Dos risos e lágrimas do fim
Se me deixe levar
Até que me faças transbordar
de ti
em mim
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Passeias os lábios em segredos
Soprados na pele
E dançam-te os dedos
No nosso toque de mel
Já não sei se vá ou se espere
Se desmanche esta cama
Marcada dos prazeres e enredos
Dos risos e lágrimas do fim
Se me deixe levar
Até que me faças transbordar
de ti
em mim
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sábado, 14 de janeiro de 2012
take me home
.
era uma vez...
uma menina sem lágrimas, no aconchego de
...era uma vez
uma mulher sem história e sem a idade
da sua história
desenhada em espiral
num Nó do Tempo
assim parecida com o Natal
era uma vez...
dois amigos perdidos na cidade
na fuga dos sonhos e dos medos
vivendo uma vida
Irreal
.
era uma vez...
uma menina sem lágrimas, no aconchego de
...era uma vez
uma mulher sem história e sem a idade
da sua história
desenhada em espiral
num Nó do Tempo
assim parecida com o Natal
era uma vez...
dois amigos perdidos na cidade
na fuga dos sonhos e dos medos
vivendo uma vida
Irreal
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domingo, 8 de janeiro de 2012
o cisne negro
Fugi, julguei desligar-me do mundo e ter encontrado um lugar seguro, sem memórias. A manhã estava fria, o chá, só de camomila... escolhi aquele lugar, aquela esplanada deserta, por estar em frente ao lago, longe do alcatrão da cidade. Olhando em redor, com precaução, conseguia só ter verde no meu raio de visão... e o cisne branco.
Asas abertas, era sem dúvida a vedeta do lago. As raras pessoas que passavam, todas aos pares, paravam para o fotografar.
Da beira do lago onde me sentei, aproximou-se um cisne negro. Ninguém reparava no cisne negro. Impaciente, nadava de um lado para o outro, parecia querer galgar o limite do lago a qualquer instante. O cisne branco ergueu-se na sua brancura e correu sobre as águas em direcção ao cisne negro.
O empregado que só tinha chá de camomila correu, atirando pedras na sua direcção, sem atingi-lo, mostrando-lhe apenas que aquele não era o caminho. Indiferente, o cisne branco, vedeta do lago, continuou, investindo sobre o cisne negro. Só uma pedra atirada mais perto o demoveu.
Afinal, havia outro cisne negro, com quem o cisne branco continuou o passeio no lago.
O outro, o meu cisne negro, permanecia no canto do lago, perto de mim. Saiu da água, deixando que o sol iluminasse as gotinhas de água presas ao seu corpo negro. Eram pequenos diamantes. Com dignidade, secou-se ao sol, sacudiu-se e alisou as penas com o bico vermelho sangue. Por fim, ergueu-se com dignidade de primeira bailarina e abriu as asas majestosas. Sem sinal de dor, Negras, enchendo a manhã fria e Só de Lisboa.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
a candeia
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no caminho para casa
tombou do céu uma candeia
segredou-me: tudo passa
pediu-me que lembre a noite Cheia
em que a minha mãe me ofereceu à Lua
e apagando-me, fez-me sua
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no caminho para casa
tombou do céu uma candeia
segredou-me: tudo passa
pediu-me que lembre a noite Cheia
em que a minha mãe me ofereceu à Lua
e apagando-me, fez-me sua
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domingo, 25 de dezembro de 2011
choro
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era uma vez - tudo se tornou era uma vez
um corpo feito pétalas de luz numa história inacabada
um sorriso fingido abraço que antes de ser se desfez...
era uma vez - uma lágrima de sal nunca chorada
"c'est trop facile de faire semblant"
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era uma vez - tudo se tornou era uma vez
um corpo feito pétalas de luz numa história inacabada
um sorriso fingido abraço que antes de ser se desfez...
era uma vez - uma lágrima de sal nunca chorada
"c'est trop facile de faire semblant"
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