sábado, 10 de setembro de 2011

a implusão de Paris

A figurante morreu
sem ser noticia Só ela o percebeu
tarde demais para assistir ao próprio Funeral
sem se aperceber do seu espectáculo finaL
- sempre soube que os aplausOs não eram para si -
tem agora a certeza que as palavRas foram ocas
e que as vezes em que foi usada não foram poucas
A figurante morrEu
fina, amachucada e transparente, desvaneceu
levou presos às roupas os sons de Sempre os sons de Amar
a certeza de Paris já não ser um lugar
de o espectáculo continuar
feito de actores principais
e de palavras que não sente nem entende
num mundo que não lhe pertence

segunda-feira, 15 de agosto de 2011


"Que al menos tu recuerdo
Ponga luz sobre mi bruma,
Pues desde que te fuiste
No he tenido luz de luna."

C. Buika

sábado, 13 de agosto de 2011

só os sós

só os sós

se lembram que esta noite é de Lua

e engolem-na  no travo da amargura

só os sós
  
escondem o vagabundo

e o abraço na noite que os sufocou

só os sós

amanhecem ocos em corpo inútil e triste 

embaraçados em nós de prata

presos a nada

e sós

terça-feira, 9 de agosto de 2011

bolha

...

muito viajava, tonta, a menina Na sua bolha de espuma, soprada numa caninha. Vivia na bolha, a menina, e o seu mundo era rosa, azul e lilás e todas essas cores ao mesmo tempo Amigo, empurrava-a o Vento, num abraço , na fúria da brincadeira, quase a desfazia Tonta, a menina, viajou sobre os campos, viu cearas e papoilas, bailarinas do avesso Levou-a o Vento Suão para lá das cercas do seu quintal. A bolha de espuma cresceu, fez-se sabor de Sal - podia ser lágrima - não morasse lá dentro a tonta menina, não a tivesse levado o Vento a pousar sobre o mar. Fez-se bolha entre todas as deixadas esquecidas pelas ondas, sobre o areal.

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domingo, 7 de agosto de 2011

peso sustentável

...

Adivinha-se descartável, sem retorno. Rodeada de efémero, instantânea.A vida passa por ela como o vento,
não olha para trás, não a leva, apenas despenteia os seus cabelos. A mulher fica, os outros partem. 
A mulher aguenta o peso da vida, os outros desfrutam da sua leveza... fingida de sustentável.

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

recomeço

...

Manda-me um beijo do meio do oceano Lembra-me quando o céu e o mar se misturarem no horizonte
virando o mundo
ao contrário Manda-me um beijo sabor de algas e de sal Diz-me onde acabo desalinha-me faz-me 
de trapos
Faz ao mar as cinzas de mim Que do meu fim se faça recomeço Manda-me um beijo...

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

desvanecer

...

Faltam-me as mãos para agarrar a vida faltam-me as forças para desenhar um sorriso sentido... e coragem para os dias amargos presos na garganta falta-me o calor nas noites gélidas... sobra-me o espaço em mim e a dor sobra-me a dor no despertar quebrado vazio e só um sopro que não sabe se me apaga se me reacende só a incerteza se posso escrever o fim da minha própria dúvida... não basta crer não basta chegar ao fim e esquecer de ser mulher basta desvanecer.

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