terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Nim

Aos dez anos recebi a primeira declaração de amor, ele olhou-me nos olhos e disse: - Sabes uma coisa? Gosto de ti! - Foi um murro no estômago... Um rapaz a gostar de mim... O céu caiu, toda eu tremi e o mundo parecia que ia acabar. Fugi-lhe sem nunca lhe ter respondido. 
Depois eles foram pedindo: - Queres namorar comigo? - Mais um murro no estômago, respondia que ia pensar, umas vezes acabava por responder que sim, outras que não.
A partir de certa altura, deixaram de ser formais, um beijo no lugar da pergunta. O primeiro beijo... um murro no estômago, o céu de novo a cair, o mundo a acabar... dias de luz e cor. Foi nessa altura que as palavras começaram a ganhar importância, pois deixaram de ser ditas. Por fim, desvendei o código: primeiro era um "gosto muito de ti", depois um "adoro-te" (neste nível pensava: também adoro queijo e não namoro com queijos) até que chegava o "amo-te" e eu iluminava-me. O murro no estômago começou a ser servido no fim, quando o desapontamento chegava, para mim, para ele ou para ambos, acabando assim o mundo. O céu, esse, passou cair no FIM.

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