Não há forma de dizer "adeus" aos nossos.
No dicionário dos amigos e dos que se querem bem, não existe "adeus".
Recusando a fantasia de uma vida depois de outra, a fantasia de um lugar para onde todos convergimos sem corpo, recusando a palavra "adeus"... pouco mais de resta: fazer do nosso "aqui e agora" o nosso próprio "Eterno".
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
"Não há nada que seja definitivamente verdadeiro, apenas coisas que são definitivamente falsas e outras provisóriamente verdadeiras" Karl Popper
domingo, 30 de agosto de 2009
Quando era criança passava horas a olhar um espelho. Virava-o de forma a ver a mesma coisa de ângulos diferentes, sem qualquer objectivo filosófico, apenas o de ver diferente e ajudar o tempo a passar.
Colocava um espelho em frente a outro, tentando baralhar o objecto. Acabava por ver projecções de projecções de projecções... seria aquela sucessão o "infinito"? Concentrava-me nos reflexos, procurando o fim do infinito, recusando que algo tão grandioso pudesse ser percebido num simples objecto tão vulgar nos quartos de dormir de toda a gente.
Quando achava que o tempo de brincadeira tão parva já se tinha esgotado, abandonava os espelhos, cansada por razão nenhuma.
Colocava um espelho em frente a outro, tentando baralhar o objecto. Acabava por ver projecções de projecções de projecções... seria aquela sucessão o "infinito"? Concentrava-me nos reflexos, procurando o fim do infinito, recusando que algo tão grandioso pudesse ser percebido num simples objecto tão vulgar nos quartos de dormir de toda a gente.
Quando achava que o tempo de brincadeira tão parva já se tinha esgotado, abandonava os espelhos, cansada por razão nenhuma.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Canção de embalar
Olho para ti e vejo a dor. Doi-te a vida, sem dúvida. As lágrimas lavam-te o rosto, tornando-o salgado e inchado. As púpilas cobrem-te o olhar e dominam. A cor dos olhos refugiou-se no interior de ti mesma, incapaz de iluminar tanto sofrimento.
Ah e se o mundo não fosse assim? E se as pessoas fossem outras, se os rios se tornassem salgados e se as montanhas afinal fossem planas... como seria fácil escalá-las. As montanhas deixavam de o ser e a escalada perdia o sentido pois o caminho não te levaria mais alto, apenas mais longe.
Ah e se o mundo não fosse assim? E se as pessoas fossem outras, se os rios se tornassem salgados e se as montanhas afinal fossem planas... como seria fácil escalá-las. As montanhas deixavam de o ser e a escalada perdia o sentido pois o caminho não te levaria mais alto, apenas mais longe.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Mais uma mudança... sempre a última e sempre com fé de que seja para melhor. Já duvidava, quando num repente decidi não esperar o autocarro e meti-me ao caminho procurando a frescura das àrvores. Ao passar a estufa fria recordei os momentos que lá passei, a frescura do verde e da minha juventude. Esqueci os medos e as angústias ao olhar ao longe e ver o Tejo a oferecer-se para melhorar o meu dia, a ensinar-me que nem tudo está perdido e que posso ganhar muito mais se não ficar parada numa qualquer paragem à espera que me levem.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
A ultima vez
E se aquele beijo foi o último? E se aquela vez em que fizeste amor foi a última?
Serão estas as recordações que prolongaremos para o resto da vida, sabendo que estamos mortos sem viver, contando os dias sem que nada aconteça?
Seria preferível que tudo isso acontecesse no último dia, assim não teria oportunidade de pensar, apenas sentir....
Serão estas as recordações que prolongaremos para o resto da vida, sabendo que estamos mortos sem viver, contando os dias sem que nada aconteça?
Seria preferível que tudo isso acontecesse no último dia, assim não teria oportunidade de pensar, apenas sentir....
domingo, 31 de maio de 2009
Bom dia!
Chegará um dia em que procuras a tua imagem no espelho e ela não está lá. No seu lugar vês escrito em baton ordinário: - Parti!
Perguntas -te que sentido faz... tanto alarido para quê? Se não está lá é evidente que partiu, para quê sujar de baton um espelho?
Nenhuma informação adicional, não ficaste a saber mais do que já sabias: a tua própria imagem abandonou-te, fartou-se de ti, da busca matinal da borbulha que sobreviveu a adolescência e que te anúncia a mestruação.
Não suportava mais o teu arreagalar de olhos matinal, em busca da clareza de ideias que nunca tiveste e nunca encontraste depois de uma noite de sono. Fartou-se, partiu.
O espelho perdeu a sua função, a sua razão de ser espelho, focas agora a tua atenção na balança de alta precisão. Todas as manhãs vais ver se aqueles 21 gramas que te restam ainda não te abandonaram, olharás o espelho vazio e sentir-te-às viva... ou isso.
Perguntas -te que sentido faz... tanto alarido para quê? Se não está lá é evidente que partiu, para quê sujar de baton um espelho?
Nenhuma informação adicional, não ficaste a saber mais do que já sabias: a tua própria imagem abandonou-te, fartou-se de ti, da busca matinal da borbulha que sobreviveu a adolescência e que te anúncia a mestruação.
Não suportava mais o teu arreagalar de olhos matinal, em busca da clareza de ideias que nunca tiveste e nunca encontraste depois de uma noite de sono. Fartou-se, partiu.
O espelho perdeu a sua função, a sua razão de ser espelho, focas agora a tua atenção na balança de alta precisão. Todas as manhãs vais ver se aqueles 21 gramas que te restam ainda não te abandonaram, olharás o espelho vazio e sentir-te-às viva... ou isso.
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